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A Forja 59

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BUMERANG: 20º BIB TESTA LAGARTAS DE BORRACHA
1º Ten Rafael de Souza – 20º BIB
Figura 1: VBTP M113BR equipada com a Rubber Band Track

            Nos meses de julho a outubro de 2014, o 20º Batalhão de Infantaria Blindado, situado em Curitiba-PR, realizou testes com um novo sistema de tração para a VBTP M113BR, produzido inteiramente com borracha, denominado “RUBBER BAND TRACK”. A empresa canadense SOUCY DEFENCE, subsidiária do SOUCY GROUP, é a responsável pela produção desse novo sistema.
            Os testes tiveram o intuito de experimentar e analisar a eficiência, dirigibilidade e operacionalidade desse novo sistema. Para isso, foram realizados os seguintes testes: deslocamento em terreno variado, incluindo deslocamento tático inserido em uma Força Tarefa Blindada, teste de frenagem, teste de raio de giro e teste de flutuação e navegabilidade.
            RUBBER BAND TRACK (RBT)
            A RBT consiste em um kit constituído pela lagarta de borracha, polias motora e tensora emborrachadas e braços tensores. A lagarta é feita em borracha, aço e materiais compostos com o objetivo de trazer alta performance com o menor peso possível.
Figura 2: Detalhe do design da lagarta

            O seu design melhora o encaixe da lagarta nas rodas de apoio/polias, minimizando a folga e, consequentemente, a resistência causada pelo próprio sistema de rolamento. A estrutura de borracha melhora a tração da lagarta com o solo e diminui a trepidação do carro. A lagarta também possui marcações que permitem o acompanhamento do desgaste do sistema, possibilitando uma troca antes da ocorrência de falhas.
Figura 3: Detalhe das polias motora e tensora

            Os braços tensores das polias também foram mudados. O braço possui em seu interior, além do cilindro com graxa, um cilindro com gás nitrogênio, com a capacidade de contrair e retornar à posição original automaticamente, não havendo mais a necessidade de “sangrar” ou injetar graxa no mesmo. Graças a esse mecanismo, a regulagem da tensão é constante.
            A redução do peso do carro possibilita a adição de blindagem e a redução da pressão do veículo sobre o solo, essencial para evitar o acionamento de minas anticarro. Mesmo nos casos de acionamento das minas, a produção de estilhaços é menor.
            A diminuição da vibração do carro e a consequente diminuição dos ruídos emitidos (tanto pela lagarta, quanto da vibração dos demais componentes da viatura) torna-o mais furtivo e diminui também o desgaste da tropa embarcada.
            A vida útil da RBT é estimada em 7000km, superior aos 4800km do sistema de metal. Não há almofadas a serem trocadas, e nem mesmo necessidade de troca dos patins para regular a tensão. Tudo isso, conciliando com menor consumo de combustível, faz com que o uso da RBT traga economia de custos e tempo de manutenção.
Figura 4: Comparativo de custos entre as lagartas

            Todos os testes foram realizados com 02 (dois) M113BR, cada um utilizando um tipo de lagarta, para que pudessem ser feitas comparações no desempenho. Foi considerada também a opinião dos motoristas e do pessoal embarcado.
            Nos deslocamentos em asfalto, terra seca e areia, o desempenho do M113BR com a RBT foi muito bom e superior ao do M113BR com a T-130, com vibração e trepidação muito menor, melhores aceleração, resposta e aderência, além de menor consumo de combustível.
            As conversões foram realizadas em raio menor, e as frenagens em distância menor. Inserido em FT, junto a uma VBCCC Leopard 1A5, a VBTP com a RBT trouxe melhor estabilidade ao atirador da metralhadora .50 e maior conforto ao GC embarcado, devido à menor trepidação e ruído.
            Entretanto, na transposição de curso d’água e em terreno escorregadio, a RBT foi inferior à T-130. Apesar de flutuar com mais facilidade, a VBTP com a RBT quase não possibilita navegação em massa d’água de vulto. Em terreno escorregadio, a RBT patinou/escorregou em diversos pontos, não se mantendo exatamente o percurso da pista.
Figura 5: Teste de frenagem em terreno arenoso

            Conclusão
            O Exército Brasileiro adquiriu 2 lotes da lagarta de borracha, somando 29 pares, a serem distribuídos entre os quatro Batalhões de Infantaria Blindados (7º BIB, 13º BIB, 20º BIB e 29º BIB). Os principais motivos para a aquisição da RBT são: o melhor desempenho do carro em área urbana, a diminuição de danos causados nas ruas e o atendimento a uma exigência da Organização das Nações Unidas (ONU), de que os blindados empregados em missões de paz devem usar lagartas de borracha.
            A intenção não é “aposentar” as lagartas de metal, mas sim acrescentar a lagarta de borracha ao material do blindado. Assim, cada VBTP possuirá dois pares de trem de rolamento. Dessa forma, o carro utilizará o sistema mais adequado ao terreno onde irá atuar.
            VBTP M113
            A VBTP M113 chegou ao Exército Brasileiro entre as décadas de 1960 e 1970, como parte do programa de ajuda militar dos Estados Unidos da América.
            Na década de 1980, os M113 foram modernizados, recebendo a denominação M113 B. Na primeira modernização, a maior alteração foi a a substituição do motor a gasolina de alta octanagem Chrysler (215 hp), pelo nacional a Diesel da Mercedes-Benz OM352A (180 hp). A transmissão original Allison foi revisada e mantida, adaptando-se as conexões de disco e platô, elétricas e de filtragem. Também foi incorporado um escudo para o atirador da metralhadora .50.
            Em 2008, foi iniciado um processo de seleção de empresas para uma modernização do M113. Entretanto, o processo foi cancelado no ano seguinte, pois “os trabalhos desenvolvidos não atingiram os objetivos inicialmente almejados.
            Em 2010, foi publicada a diretriz de modernização parcial das VBTP M113-B, que passam a ser denominadas M113-BR. As VBTP não submetidas ao processo de modernização continuam a ser denominadas M113-B e serão manutenidas em quarto escalão.

VALEMANHA E FRANÇA SE UNEM PARA FABRICAR O LEOPARD 3
2º Sgt Ubal – CI Bld
Figura 6:
Leopard 2A7+ e AMX-56 Leclerc

           As empresas Kraus-Maffei Wegmann (KMW), da Alemanha, e Nexter Group, da França, vão criar, ainda no ano de 2015, uma joint venture (associação de empresas para explorar um determinado negócio sem que nenhuma delas perca sua personalidade jurídica) para desenvolver e produzir o Leopard 3, a resposta da Europa Ocidental ao CC russo T-14 Armata.
           A companhia será denominada, a princípio, KMW And Nexter Togheter (KMW e Nexter juntas), ou KANT. Ainda que o objetivo principal seja a nova VBCCC, a fusão tem como objetivo produzir outros produtos de defesa. As companhias se completam em expertise e know-how. Juntas, as duas empresas somam aproximadamente 6 mil funcionários e receita de 2 bilhões de euros anuais.
           Em Berlim, o Ministério da Defesa declarou, como justificativa para o projeto, que o atual Leopard 2, recentemente apresentado na sua versão Leopard 2A7+, terá a sua carreira encerrada por volta do ano de 2030.
           Na França, o AMX-56 Leclerc terá sua vida útil estendida até o ano de 2040 (veja na matéria a seguir).
           Apesar de não haver nada oficialmente declarado, é esperado que o próximo carro, que a princípio será denominado Leopard 3 (o próprio diretor executivo cogitou outros nomes, bastante pitorescos, como Leleo e Leoclerc), seja equipado com um canhão de 130mm ou 140mm. A intenção é claramente fazer frente à proteção blindada do Armata.
           Há ainda a chance do Leopard 3 ser equipado com uma torre não tripulada, com carregamento automático, o que permite aumentar a espessura da blindagem.
           T-14 ARMATA
           O impacto do T-14 Armata no mercado internacional dos blindados pesados foi enorme. O blindado possui uma torre completamente automatizada, controlada remotamente pela guarnição, que fica alojada em um habitáculo na parte dianteira da viatura. O valor de cada viatura é estimado em 7,3 milhões de dólares.
Figura 7: T-14 Armata no desfile do Dia da Vitória

FRANÇA MODERNIZARÁ SEUS LECLERC
2º Sgt Pinheiro – CI Bld

            A França desencadou a terceira etapa do programa SCORPION, que tem como finalidade modernização das viaturas Leclerc do exército francês.
            Avaliado em aproximadamente 330 milhões de euros (aproximadamente 1,1 bilhão de reais), o contrato abrange a modernização de 200 VBCCC Leclerc e 18 veículos de recuperação DCL (Dépanneur du Char Leclerc), baseados no chassi do Leclerc. Os veículos devem ser “renovados” (nas palavras do governo francês) e entregues até 2020.
            O projeto de modernização se destina a prolongar a vida útil das viaturas até o ano de 2040, além melhorar a capacidade de operar nos mais diversos cenários operacionais atuais.
            A modernização está sendo executada pela empresa Nexter Systems, subsidiária da Nexter Group.
            Ainda não há detalhes de quais componentes serão modernizados. O que chama a atenção é alto custo da modernização: cerca de 5 milhões de reais para cada viatura.

           PROGRAMA CONTACT
            O programa CONTACT (COmmunications Numeriques TACtiques et de Theatre) faz parte do programa SCORPION e foi iniciado em 2012. O objetivo é desenvolver um rádio definido por software (SDR na sigla em inglês) para as três forças armadas francesas. O programa CONTACT está sendo desenvolvido pela empresa francesa Thales.

Fonte: o autor, Kraus-Maffei Wegmann (www.kmweg.com), Nexter Group (www.nexter-group.fr

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