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O impacto dos Programas Estratégicos do Exército nas possibilidades da Cavalaria Mecanizada

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O impacto dos Programas Estratégicos do Exército nas possibilidades da Cavalaria Mecanizada

Figura 1: Reconhecimento em Faixa de Fronteira
Fonte: O Autor

O Exército Brasileiro (EB) iniciou um processo de modernização que tem como principal foco incrementar a capacidade operacional de suas tropas, bem como revitalizar seus segmentos. Atualmente, há dois Programas Estratégicos do Exército que contemplam inovações para a Cavalaria Mecanizada: SISFRON e GUARANI. Ambos estão diretamente ligados às peças de manobra dos Regimento de Cavalaria Mecanizados (RC Mec).

O Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON) é um sistema de sensoriamento e de apoio à decisão que está orientado sob a égide do trinômio sensores, decisores e atuadores. Ressalta-se que os modernos recursos tecnológicos incluídos no SISFRON habilitam o combatente da Força Terrestre a operar em ambiente de alta complexidade tecnológica, atendendo às demandas de consciência situacional instantânea. Seu emprego atende ao conceito de Operações em Amplo Espectro, ou seja, permite o emprego em Defesa Externa, bem como em Operações de Cooperação e Coordenação com Agências.

O Programa GUARANI representa um esforço da Força Terrestre em modernizar as Brigadas de Cavalaria Mecanizada (Bda C Mec) e mecanizar as Brigadas de Infantaria Motorizada (Bda Inf Mec). Para isso, está em desenvolvimento uma Nova Família de Blindados de Rodas (NFBR), possibilitando assim, um ganho na capacidade de dissuasão.

No escopo do programa está a proposta de criação de uma gama de plataformas de viaturas blindadas para aprimorar as potencialidades da tropa mecanizada, além de trazer às OM mecanizadas o advento de modernos simuladores virtuais táticos e de procedimentos.

Figura 2: Simulador de Procedimentos do Motorista-Guarani
Fonte: O Autor

Ambos os programas propiciam uma enorme inovação para a Cav Mec, pois traz o que há de mais moderno para equipar os Regimentos: novas plataformas blindadas, Centros de Operações, Sistemas de Comando e Controle (C2), Sistemas de Apoio à Decisão, optrônicos, equipamentos individuais e meios tecnológicos. Todo esse aparato permite que o combatente mecanizado tenha meios que aumentam sua capacidade operacional e faça com que se aproxime muito dos equipamentos utilizados pelos melhores exércitos da atualidade.

Segundo definição do DECEx, “A Cavalaria Mecanizada é a força de combate criada e desenvolvida com a finalidade de obter informes sobre a área de operações, sobre o inimigo e sobre outros dados que permitirão aos comandantes possuir o conhecimento, analisá-lo e decidir antes do oponente, surpreendendo-o e mantendo a iniciativa das ações”. Dentre suas possibilidades, estão: realizar qualquer tipo de reconhecimento em largas frentes e grandes profundidades; executar missões de segurança; participar de operações ofensivas, defensivas ou movimentos retrógrados; e realizar operações de Defesa Interna e ações de Defesa Territorial.

A 4ª Bda C Mec–Brigada Guaicurus, escolhida para compor o projeto piloto, é a pioneira no emprego dos materiais adquiridos. Houve validações nível Pelotão (Pel), Esquadrão (Esqd), Regimento (Rgt) e Brigada (Bda), testando de maneira maciça todas as suas potencialidades, a fim de apurar as possibilidades e limitações do sistema.

Os RC Mec da Brigada Guaicurus passaram a ser dotados de equipamentos que modernizaram a estrutura de seus Esqd Mec e Esqd de Comando e Apoio (Esqd C Ap), passando, inclusive, a ativar sua Seção de Vigilância Terrestre (SVT) orgânica do Pel Comando. Essa fração emprega inovadores radares fixos, móveis e transportáveis desenvolvidos com tecnologia nacional. Atualmente, os únicos do EB encontram-se no 17º RC Mec.

Figura 3: Radar de vigilância Terrestre
Fonte: O Autor

Além disso, as OM contam, em sua estrutura de comando, com instalações de Posto de Comando (PC) de Estado-maior (EM) fixo e móvel com grande utilização de comunicações amplas e flexíveis. Uma estrutura exclusiva de C2, a infovia, baseada em torres e radares, é responsável por levar as informações em tempo real para as OM e delas para os Centros de Operação (COp).

No tocante aos Esqd C Mec, o SISFRON trouxe um incremento nos equipamentos individuais, aprimoramentos nas viaturas e organização do sistema de comunicações. Com isso, o militar passou a ser dotado de rádios portáteis do tipo Harris SPR (Secure Personal Radio), câmera TVP (Tactical Video Processor) com transmissão de dados e imagens, Monóculo de Visão Noturna AEL Loris, Binóculo Termal AEL CORAL-CR, óculos de proteção, colete balístico, joelheiras, cotoveleiras, detectores de metal, entre outros.

No que concerne às viaturas, a Seção de Comando do Esqd C Mec passa a possuir, além de sua constituição, viaturas especiais de comando e controle do tipo Juliet Alfa (Cmt SU) com  rádios multibanda possuidores de salto de frequência, criptografia, transmissão de imagens, dados e voz, além de rádios HF que permitem a comunicação com o escalão superior a longas distâncias. Nas Turmas de Comunicações há duas novas viaturas: Módulo Hotel e Shelter Bravo as quais são um Módulo de Telemática Operacional e Repetidora, respectivamente. Toda essa estrutura permite que as informações sejam recebidas dos Pel e repassadas em tempo real do Esqd para o EM da OM.

Quanto aos pelotões, as viaturas táticas leves receberam os módulos Lima Alfa (viatura do Cmt Pel), Lima Bravo (Cmt G Exp) e Lima (demais viaturas do G Exp). Essas VTL são dotadas de rádios capazes de transmitir diversas informações, como a localização e as imagens captadas pelas câmeras dos combatentes. Possuem também computadores portáteis robustecidos (ToughBook) nos quais é possível acessar o Sistema de Apoio à Decisão que permite uma consciência situacional em todos os níveis.

Figura 4: Soldado operando o Thougbook no Pel C Mec
Fonte: O Autor

Os grupos de Exploradores são dotados dos binóculos termais CORAL - CR com telemetria laser, posicionamento por GPS e capacidade de capturar imagens, o que permite o monitoramento do campo de batalha nos períodos diurno e noturno. Essas características propiciam ao Pel C Mec as condições necessárias para que cumpra sua finalidade precípua de reconhecimento, com as premissas de ver, entender e agir primeiro.

Passando ao Programa GUARANI, é possível salientar que ao atingir o estado final desejado, as OM Mec estarão dotadas de modernas viaturas blindadas, como Viaturas Blindadas Multitarefa  - Light Multirole Vehicle (VBMT - LMV), Viaturas Blindadas de Reconhecimento Média de Rodas (VBR-MR) e as Viaturas Blindadas de Transporte de Pessoal Média de Rodas Guarani (VBTP-MR Guarani). Como esses meios operativos, essas OM, indubitavelmente, terão suas capacidades otimizadas, principalmente quando somadas ao produtos de defesa já incorporados às unidades pelo SISFRON.

Dentre as inovações já apresentadas e em uso nas tropas da 4ª Bda C Mec está o Sistema de Armas Remotamente Controlado Reparo Automatizado de Metralhadora “X” (SARC REMAX) o qual possui diversos recursos e pode ser acoplado nas VBMT e VBTP-MR. Esse sistema permite que o atirador opere sua metralhadora remotamente através de manetes instalados no interior da viatura, aumentando assim, sua segurança. O equipamento tem como agregados tecnológicos: a estabilização, que permite o tiro em movimento; telemetria laser, a qual estipula a distância do alvo; câmera termal, que possibilita a busca dos alvos através da assinatura térmica e a realização de tiro no período noturno; e incrementos nas capacidades de detecção, identificação e reconhecimento a distâncias que chegam a 8.000m. Graças a todas essas características e possibilidades, 17º RC Mec realizou, em setembro de 2017, após o Tiro de Aceitação de Campo com o sistema REMAX, um exercício com tiros noturnos em movimento que obteve praticamente 100% de eficácia.

Figura 4: Tiro com REMAX
Fonte: O Autor

Para pôr à prova todo esse material, em 2017, o então Centro de Avaliação e Adestramento do Exército (CAAdEx), hoje Centro de Adestramento – Leste (CA-Leste) submeteu dois Esqd C Mec do 17º RC Mec a um exercício de simulação viva, com utilização de Dispositivos de Simulação de Engajamento Tático (DSET). Em um contexto de Operação de Reconhecimento, passando inclusive em áreas urbanas os índices de sobrevivência dos Pel C Mec ultrapassaram 90%, havendo, ainda, pelotões que não sofreram baixas. Dessa forma, comprovou-se que a doutrina das operações de reconhecimento, típica dos Pel C Mec, continua atual e operativa, principalmente se usadas corretamente as Técnicas, Táticas e Procedimentos (TTP), somadas aos novos meios de dotação dos Esqd e Pel.

Além disso, entre novembro de 2017 a março de 2018, ocorreu o emprego sistemático desses meios para o controle de ilícitos transfronteiriços na faixa de fronteira Brasil-Paraguai na Região de Mundo Novo e Iguatemi, em um contexto de operações interagências. Durante as operações Ágata 4 (2017) e Carcará (2018), foram apreendidas várias toneladas de itens contrabandeados, destacando-se cerca de 4 milhões de maços de cigarro e centenas de quilos de agrotóxicos.

Por fim, o binômio SISFRON-GUARANI trouxe um incrível desenvolvimento para a Cavalaria Mecanizada e fez com que as OM já contempladas dessem largos passos em direção ao futuro. A utilização de modernos equipamentos, associada a uma doutrina consolidada e pessoal bem preparado, constitui a premissa básica para o sucesso das operações e potencializa as possibilidades da nossa CAVALARIA MECANIZADA.



AÇO, BOINA PRETA, BRASIL!

Marcelo Eduardo Deotti Junior – Cap
Instrutor Chefe da SI Bld do 17º RC Mec
Carlos Alexandre Geovanini dos Santos – Ten Cel
Comandante do CI Bld
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